Ele era apenas um menino e nada sabia sobre o amor, mas seu coração estava destinado a precipitasse diante do mais profundo abismo e não hesitaria em lançar-se de peito em sua aventura ou em suas aventuras na busca de sua felicidade ou de sua dor.
Ela era sensível porem forte, não entendia ainda o que sentia, mas ousava sentir.De uma hora pra outra tudo estava se transformando e o mundo não era mais o que ela via ao seu redor outrora todas as suas verdades tinham caído por terra e ali nascia algo novo que ela ainda não conhecia, mas que julgava conhecer.
Quando crianças os dois viram que a forma como os quadros de suas vidas foram se desenhando já lhes mostrava uma arte distorcida e que não seria nada fácil admirá-la, que teriam de lutar pra transformar tal rascunho em uma obra e para isso iam ter de sofrer; não ia ser nada fácil...
Certa vez quando ainda era criança ela achou que o amor é tudo aquilo que lhe seria negado, as circunstancias lhe mostrara isso, pois sempre que amava algo (ou achava que amava) isto não lhe pertencia, o engraçado é que nesta mesma época ele se interessava pelo mesmo argumento e desenvolvia a mesma tese devido às mesmas circunstancias.
Bem, é verdade que eles eram bem diferentes mais tinham suas peculiaridades em comum e isso os unia de alguma forma tanto que até hoje não conseguem explicar como ocorreu o primeiro beijo, eles se apaixonaram, foi rápido, inusitado, quente, louco, proibido, ardente, pesado, barulhento, apaixonado, mágico, desconcertante, eterno...
Suas expectativas em relação ao amor naquela hora se desfizeram e ali brotou algo novo que não imaginavam se quer existir e se amaram intensamente durante todos os segundos que lhes foi possível estar juntos, mas aos seus destinos estava destinado o pincel cruel com a qual são pintadas as vidas dos poetas malditos e eles não souberam lutar contra isso.
O sofrer se concretizou.
Ele achava-se forte e diante da separação quis buscar outros amores, bem sabe ele que amou e amou com bastante ímpeto, mais há amores e há amor, ele queria o amor por mais que isso o fosse negado.
Ela agiu de forma parecida e eles tentaram diversas vezes a continuação porem o diabo do pincel aprimorava cada vez mais a sua obra repleta de dor e decepção.Mas eles estavam dispostos a ir longe se não fossem felizes juntos seriam separados e conseguiriam outros amores, eram poetas e não malditos.
Mas diversas vezes ao ir durmir ele lembrava seu rosto e nos sonhos ela ia o visitar revestida de beleza, ia como um anjo e tudo se tornava o paraíso.
Hoje ela é uma mulher e trabalha, tem responsabilidades para com as quais zelar, o seu andar é sedutor e o seu rastro tem o cheiro de lençóis recém lavados e frescos.Ele é um homen, trabalha e fez questão de preservar a criança que existe em si.Os dois se cruzam um dia pela rua seus olhares se encontram a distancia como se um tivesse o radar do outro, eles sorriem e relembram com nostalgia apaixonada o passado, mas depois outra vez se distanciam.
No amor há um termo que diferencia tudo e diferencia um amor de amores.Esse termo é uma espécie de solução cujo qual tudo se dilui menos os verdadeiros amores, esta alem do nosso entender por que é abstrato porem real, como Deus para alguns ou os demais sentimentos para outros.A imortalidade é esse o termo, o que é verdadeiro permanece na eternidade e não é preciso muito pra que seja real porem é impossível destruí-lo, porque se torna imortal em pensamentos e mentes, ações e palavras, na presença e na falta.
O poeta disse: ”que seja eterno enquanto dure o nosso amor”; o musico terminou a sua melhor obra com a citação a amada; “minha amada imortal”, eles foram e serão imortais e sabiam o significado da imortalidade.
Pra os dois dessa historia, bem, eles são muitos, são únicos, são todos e são nenhuns...
Espero apenas que saibam usufruir da imortalidade de seus sentimentos...