Wednesday, June 25, 2008

é só o prelúdio meu bem
virá mais coisas a frente
no momento é só a brisa de um desejo
no momento apenas exponho o canto das unhas de minha sede e fome insaciáveis
é,quando decidi romper com o pudor não fui sincero
e desde então tenho mordido lábios e engolindo seco,vomitando pra dentro de min,
uma loucura desnorteada se apodera de min e já não faço bom uso de drogas e do sexo
mais grita,ah como grita,
uiva, geme ,resmunga,se dilascera no peito e vai se recomponda a partir da glande de meu pênis
se espalhando como um vírus impudico
primeiro pelo corpo
depois pelo intímo,o imaterial e inatingivel,inexplicavel.

foi-me negado ser vagabundo
tento encontrar-me com o espírito da noite mais o ócio se torna cada vez mais raro
sou todo um impulso sem pensar
toda minha escrita:relato
pedaços de min
pois tenha a min rasgado sobre folhas
em papéis sintta o cheiro de meu sangue e sémen
sim,sim,os fluídos condutores de vida e prazer.
queria viver pra escrita
buscar a cada olhar mil palavras, mil besteiras,profanar e salvar.

pois bem, sou isto e mas um pouco que se constrói todo momento
e eu falava sobre prazer e desejo
onde estou agora?
a minha parte exposta, o meu corpo, o que vêm
não o sou e isto fere
quem dera baila com todas as obscenidades que permeiam o intímo
como quando te desejei, querida, e tive vergonha de te falar
que tu visses pois por meu olhar o que minha mente prendia
como já disse queria-te em carne e pelos
para descobrir cada centímetro de pele e sentir teu sangue pulsar
tua ritmia cardíaca acelerada
e o som de teus batimentos se instalando em meus ouvidos
no momento em que meus lábios e lingua se apoderam de teus seios
voluptuosos...
ah como é bom este fluxo, como é bom imaginar...

minha saliva te banhando como em uma brincadeira animalesca...

agora pergunto:por que todo aquele pudor?
se eu era e me neguei não posso culpar-te pela má interpretação acerca de min.

quando estas meninas que não têm noção do seu poder de sedução desfilam
tento sugar-lhes o cheiro como uma esssência
e as vezes em casa tento compor-lhes através das essências

minha saliva mesclando-se ao cheiro de tua pele morna,tua pele quente,
mesclando ao cheiro de tuas partes húmidas clamando por o calor de meu corpo.

ah, meus dedos deslizando por teus músculos e teus pelos se retesando
e eu desenhando formas em tuas costas enquanto lentamente me ponho sobre ti
e engano-te quanto a forma de meu sexo
iludo-te ao te fazer pensar que serei meigo e gentil
serei o desejo contido expondo toda sua fúria
jorrando através do suor e da respiração ofegante,
não me permito cansar,
quero-te cansada e com a cara abatida
com a expressão de uma felicidade dolorosa
de um sofrer demasiado gostoso,

devo reter cada segundo
fazer do momento uma dança
buscar os espaços e passos que componham junto a música a maestria perfeita
o perfeito menear do momento...
mais isto é só o começo
é só um pensar
um adiantar-se a min,
um querer atrasado.

sou todo uma fúria por trás desta aparente cara passiva
por trás desta carcaça morrendo há deuses e demônios em um banquete,
em uma orgia quem sabe...

por que pensar no futuro?
deveriamos atear fogo no presente e começa tudo outra vez
a cada dia recomeçar
não ficar fadado a repetição,ao replay de nossos dias.

corro e quem corre dentro de sí corre de sí
emendo meus pedaços
procuro cheiros e visões que não me pertencem mais
enquadro e fotografo imagens que me apetece devorar
não só imagens mais névoas que não têm definição.

a imagem de teu corpo nu me devolve às ruas.

Friday, June 06, 2008

é a escrita que vara noites a frio procurando corpo que me preocupa
não o que ela é e sim o que ela poderia ser
dissimulada e atrevida
disfarçada entre tantas mascaras já utilizadas
dentre tantas roupas sujas de sangue e excrementos
(pra não falar dos fluídos orgiasticos...)

ah,como me apetece um desejo extremo de fazer real o que sonho
de jorrar no mundo o que imagino e através da loucura se torna um novo min

mais a alma a aprisiona,
uma timidez rídicula de min se apodera e morro diante do criar.
do momento sublime e para min cruel de criar.

não me bastam palavras
queria que numa folha coubessem mais que um gesto, mais que um mundo
e hão de dizer que é possível
mais como?
torno-me superficial
sou quase um velho louco que se acha o mais potente
quase um pai ameçador e desgraçado.

estéril.

vou compor uma nova sinfonia.
é precisso a criação de um novo ritmo, de uma nova forma disforme,
à nova linguagem...