Segundo alguns uma contradição
O que de certo modo acho maravilhoso
Ser estável e seguro, firme como uma rocha deve ser um saco,
Preferível ser como o mar, maleável e revolto,
Incerto e tenebroso
Com um novo teor a cada onda.
O que da vida provarei senão da incerteza?
Dela hei de entornar litros e litros da mais pura ignorância.
As palavras hoje saem com um de extremo desleixo
Resolvi simplesmente jogá-las
Falar o que sinto.
Deixei a preguiça de lado e parti
Agarrei-me a um dos meus erros mais saborosos.
Odeio que me julguem.
E isto, nem sei bem ao certo,
Mais acredito que não é uma justificativa.
Abraço a todas as minhas chagas e as jogo na cama
Horas e horas de um prazer pavoroso
Porém tão necessário quanto saboroso.
É triste e sublime me deparar com isto
Todo o ódio e o amor que absorvi
Toda palavra expelida feito uma bomba atômica
Toda morte necessariamente vivida.
A utopia é maravilhosa!
Não é só de sonhos que falo,
Falo do sangue jorrando na calçada e da fome arreganhando-se
Com suas enormes pernas a querer que todos dela sejam amantes.
Mutantes correm de um lado para o outro, manhã.
Sol parece arrancar-me a pele, o gringo adora,
Num é ele quem “trabalha de sol a sol”. tarde.
De todas as vias surgem as mais diversas criaturas sob esse vento desordenado
Mesas frágeis de bares improvisados, catadores de papelão, ônibus lotado, noite.
Não estou só e sou tudo isto
Não mais pessoa, sou todo este contingente parasitário que trafega se degladiando,
Sou também todas as coxias imundas da cidade, o olhar débil de quem não entende,
Sou este todo que vai ruir em breve, como e quando não sei
Mais de uma brecha qualquer um grito ira submergir
Será um estupro, um assassinato, uma dor fodida ou uma expressão de alegria?
Talvez todos.
Tornei-me este monstro e nem percebi
Este divino destruidor,
Um pensamento instalado e ainda assim disfarçado,
Esta contradição tesuda.
Wednesday, October 24, 2007
Saturday, October 20, 2007
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