Wednesday, October 24, 2007

O que me tornei?

Segundo alguns uma contradição
O que de certo modo acho maravilhoso
Ser estável e seguro, firme como uma rocha deve ser um saco,
Preferível ser como o mar, maleável e revolto,
Incerto e tenebroso
Com um novo teor a cada onda.

O que da vida provarei senão da incerteza?
Dela hei de entornar litros e litros da mais pura ignorância.
As palavras hoje saem com um de extremo desleixo
Resolvi simplesmente jogá-las
Falar o que sinto.

Deixei a preguiça de lado e parti
Agarrei-me a um dos meus erros mais saborosos.

Odeio que me julguem.
E isto, nem sei bem ao certo,
Mais acredito que não é uma justificativa.

Abraço a todas as minhas chagas e as jogo na cama
Horas e horas de um prazer pavoroso
Porém tão necessário quanto saboroso.

É triste e sublime me deparar com isto
Todo o ódio e o amor que absorvi
Toda palavra expelida feito uma bomba atômica
Toda morte necessariamente vivida.
A utopia é maravilhosa!

Não é só de sonhos que falo,
Falo do sangue jorrando na calçada e da fome arreganhando-se
Com suas enormes pernas a querer que todos dela sejam amantes.

Mutantes correm de um lado para o outro, manhã.
Sol parece arrancar-me a pele, o gringo adora,
Num é ele quem “trabalha de sol a sol”. tarde.
De todas as vias surgem as mais diversas criaturas sob esse vento desordenado
Mesas frágeis de bares improvisados, catadores de papelão, ônibus lotado, noite.

Não estou só e sou tudo isto
Não mais pessoa, sou todo este contingente parasitário que trafega se degladiando,
Sou também todas as coxias imundas da cidade, o olhar débil de quem não entende,
Sou este todo que vai ruir em breve, como e quando não sei
Mais de uma brecha qualquer um grito ira submergir
Será um estupro, um assassinato, uma dor fodida ou uma expressão de alegria?
Talvez todos.
Tornei-me este monstro e nem percebi
Este divino destruidor,
Um pensamento instalado e ainda assim disfarçado,
Esta contradição tesuda.

4 comments:

R.R.Dias said...

há algo parecido no par das coisas...
um arcontemplativo que não lave a tona
por ver as coisas que ainda banham no presente
há algo no ser mar... uma semelhança interna, não sei..
é fato isso tudo?

renato xxx said...

Quer ofender, ofende! Mas pelo menos escreve direito...

"Stright" edge?! Francamente...

Anonymous said...

cara.. adorei sua poesia com uma aparente racionalidade anarquica.. um mundo dionisiaco dentre de um apolinio... legal a forma como vc conduz ordeiramente suas ideias de desordem... muito original.. vaginal

cezar sturba que disturba

Renata Lavezzo said...

sim, sim..é isso..

cocktail Worchestershire explosivo..

meu msn eh sub_fungi@hotmail.com