Saturday, June 09, 2007


A tarde com o seu sol torrencial foge
E a noite se aproxima sorrateiramente...
O gato sobe o muro e sobre o muro
Observa a rua
Parece uma estátua negra
Insatisfeita e fora do seu lugar
Intimando-nos com o seu olhar
Os postes se acendem
As vidas se apagam
Somos fogo ardendo
Sob o sereno noturno.

Correm crianças alegres
Correm e gritam
E nas calçadas as mães conversam
Pela rua com passos lentos
Avançam
Os despropositados
E as engrenagens rangem.

Em algum lugar cai uma pétala
Vermelha
No chão
No vão
Em vão
E do peito de um qualquer
Com um gosto amargo
Se desfaz um suspiro, um pensamento perdido.
Todos os quadrados, triângulos
E diversos polígonos
Se encaixam de alguma forma
De alguma forma
Acham um lugar
Seu lugar
Veja os muros e os tijolos
As calçadas e os padrões
Os diversos objetos inúteis dispersos por sua casa
Tudo
Tudo
Tem o seu lugar.

Mas além do horizonte
Além do horizonte físico
Do horizonte do pensar
E do compreender
Muito além
Nasce molhado de sangue
Moldado com suor
Nasce sem uma forma geométrica indefinida...

Não há encaixe neste mundo


Pra ele, não!

Pétalas vermelhas no chão
Gotículas de sangue espesso
Morte e vida se encontram.
Lá fora um ato é a continuidade
O principio e fim da circunferência
Aqui dentro tudo é vazio

Oco

Pobre criança
Que ombro te acolhera?
Nunca haverá sossego na tua vida
Como as pétalas um dia cairás
E como o gato e a noite
Tua alma será negra
A vida será um suplício
Uma dúvida eterna
Será uma noite fria onde tudo esta morto.

Solitária no céu a lua reina
Os olhos cerrados
Lacrimejam a dor contida
Amores perdidos
Dinheiro mais dinheiro

Inspira o ar amargo das fábricas e dos carros
Devolve teu olhar vasto e vago
Amor
Odor
Dor
Mais uma peça perdida
Com a alma arranhada
Olhando o céu
Perdido na imensidão dos pesares.



1 comment:

bruno reis said...

mais algumas coisas, legal você ter se interessado :) somos realmente um grupo aberto, aliás, menos do que um grupo somos pessoas que querem criar algum tipo de espaço para discussão, em vez das panelinhas habituais. se você comparecer, vai ver que temos os mais diversos tipos de pessoas e escritos. dessa vez não deu, não foi? mas não tem problema, pois sábado daqui a quinze a gente tá lá de novo!

ah, e eu sou o bruno, um dos adiministradores do blog do Por Mais Leitura.

abraços,