é só o prelúdio meu bem
virá mais coisas a frente
no momento é só a brisa de um desejo
no momento apenas exponho o canto das unhas de minha sede e fome insaciáveis
é,quando decidi romper com o pudor não fui sincero
e desde então tenho mordido lábios e engolindo seco,vomitando pra dentro de min,
uma loucura desnorteada se apodera de min e já não faço bom uso de drogas e do sexo
mais grita,ah como grita,
uiva, geme ,resmunga,se dilascera no peito e vai se recomponda a partir da glande de meu pênis
se espalhando como um vírus impudico
primeiro pelo corpo
depois pelo intímo,o imaterial e inatingivel,inexplicavel.
foi-me negado ser vagabundo
tento encontrar-me com o espírito da noite mais o ócio se torna cada vez mais raro
sou todo um impulso sem pensar
toda minha escrita:relato
pedaços de min
pois tenha a min rasgado sobre folhas
em papéis sintta o cheiro de meu sangue e sémen
sim,sim,os fluídos condutores de vida e prazer.
queria viver pra escrita
buscar a cada olhar mil palavras, mil besteiras,profanar e salvar.
pois bem, sou isto e mas um pouco que se constrói todo momento
e eu falava sobre prazer e desejo
onde estou agora?
a minha parte exposta, o meu corpo, o que vêm
não o sou e isto fere
quem dera baila com todas as obscenidades que permeiam o intímo
como quando te desejei, querida, e tive vergonha de te falar
que tu visses pois por meu olhar o que minha mente prendia
como já disse queria-te em carne e pelos
para descobrir cada centímetro de pele e sentir teu sangue pulsar
tua ritmia cardíaca acelerada
e o som de teus batimentos se instalando em meus ouvidos
no momento em que meus lábios e lingua se apoderam de teus seios
voluptuosos...
ah como é bom este fluxo, como é bom imaginar...
minha saliva te banhando como em uma brincadeira animalesca...
agora pergunto:por que todo aquele pudor?
se eu era e me neguei não posso culpar-te pela má interpretação acerca de min.
quando estas meninas que não têm noção do seu poder de sedução desfilam
tento sugar-lhes o cheiro como uma esssência
e as vezes em casa tento compor-lhes através das essências
minha saliva mesclando-se ao cheiro de tua pele morna,tua pele quente,
mesclando ao cheiro de tuas partes húmidas clamando por o calor de meu corpo.
ah, meus dedos deslizando por teus músculos e teus pelos se retesando
e eu desenhando formas em tuas costas enquanto lentamente me ponho sobre ti
e engano-te quanto a forma de meu sexo
iludo-te ao te fazer pensar que serei meigo e gentil
serei o desejo contido expondo toda sua fúria
jorrando através do suor e da respiração ofegante,
não me permito cansar,
quero-te cansada e com a cara abatida
com a expressão de uma felicidade dolorosa
de um sofrer demasiado gostoso,
devo reter cada segundo
fazer do momento uma dança
buscar os espaços e passos que componham junto a música a maestria perfeita
o perfeito menear do momento...
mais isto é só o começo
é só um pensar
um adiantar-se a min,
um querer atrasado.
sou todo uma fúria por trás desta aparente cara passiva
por trás desta carcaça morrendo há deuses e demônios em um banquete,
em uma orgia quem sabe...
por que pensar no futuro?
deveriamos atear fogo no presente e começa tudo outra vez
a cada dia recomeçar
não ficar fadado a repetição,ao replay de nossos dias.
corro e quem corre dentro de sí corre de sí
emendo meus pedaços
procuro cheiros e visões que não me pertencem mais
enquadro e fotografo imagens que me apetece devorar
não só imagens mais névoas que não têm definição.
a imagem de teu corpo nu me devolve às ruas.
Wednesday, June 25, 2008
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1 comment:
Nesse texto há quotes memoráveis. Sinto-o como algo virtuoso, apesar de caótico. O desejo é caos. Eu sempre faço interpretações distorcidas, minhas opiniões nunca convêm. Mas dessa vez, devo dizer... não gosto de pudores na literatura. Não. Em personagens é plenamente aceitável, dependendo do personagem, claro, do que sua persona representa no texto. O que não aprecio são narrações carregadas de castidade e inocência. Prefiro mil vezes um escritor que fale sobre sexo abertamente, e que saiba não transformar isso em pornografia gratuita, mas em erotismo belo e essencial. Ah, isso sim é o que me comove verdadeiramente. Pode parecer paradoxal, mas um personagem dividido entre seus pudores e seus desejos, sua lascívia e sua decência totalmente me encanta. Me deixa extasiada, porque é assim que acontece, nós somos assim, seres duais, eternamente divididos entre uma coisa e outra, às vezes em mais de duas coisas, mas nunca plenos de verdade. A existência é uma busca.
Admirei isso nesse texto. Não sei se captei da forma que você queria passar, mas entenda que tudo o que nós escrevemos, se aparta de nós no momento em que nós o fazemos. Já não nos pertence; e a arte é tão superior a qualquer crítica, seja ela boa ou ruim... há muito me conformei com isso. Não há meios de se fazer uma leitura correta, não existe leitura correta, apenas a sua leitura, pessoal e íntima. É o que me encanta na literatura.
fikdik é 'fica a dica' ksjks
Tudo o que tu me falou, me ajudou demais, sabe? E eu concordo contigo.
E sobre querer encontrar sua verdadeira escrita, acho que é o que qualquer um que escreve com um pouco mais de apuro e sensibilidade (um amador? um escritor?) busca. Por isso eu penso que te compreendo demais quanto a isso... E ademais, escrever é uma grande audácia. Vamos, aos tropeços, extrair isso de nós, e talvez essa seja uma das coisas que movem a minha vida, sabe?
Beijos saudosos.
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