No meu corpo cicatrizes
Feridas
Pele queimada e luminosa.
Tais marcas contam historias,
Canções de ninar ao som de trovões,
Gritos internos implodindo,
Refletem meus erros e as vezes
Até minhas alegrias.
Geralmente aquelas que precedem a dor
Inesperada.
Hoje eu quis o abrigo da minha casa
A mesma que me causa asco muitas vezes,
Quis o abraço dos livros dispersos,
Dos objetos espessos,
Até das paredes empoeiradas
E da rede estendida
Atrapalhando a passagem.
Rosa vermelha, plástica, artificial
E empoeirada.
Por ti passeia a aranha de pernas finas
Quase imperceptíveis.
E esta deixa teias, rastros,
Todos estamos sujeitos a deixar rastros
Resquícios de nossa existência.
Esparadrapo, durex, cola, canetas vazias,
O rolo de papel higiênico,
O livro de poesias e a carta esquecida,
Nunca lida;
A poeira cobrindo tudo
E a música ruim no ar.
A estranha sensação de vazio
Que me acompanha pelas manhãs
E me preenche.
Essa sensação é a minha única companheira nesta noite
A única verdade presente em minha mesa
Nessa mesa e personificada nestes papeis.
É hora de dormir.
Saturday, July 07, 2007
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