Friday, March 07, 2008

Vai, Trêm!

Um coral desarmônico de vozes metálicas me metralha com vozes tristes,
Trovoadas, travadas, tribalices de andróides tétricos...
Entronizado no cinzento do banco gélido, recebo esses louvores, essas adorações opacas que [recolho sem alegria nem tristeza
Na minha epiderme trêmula e dançante.
Devoram meus olhos ardentes e salivantes uma população infinita de polígonos justapostos, [sobrepostos, que se roçam sem faiscas
Que se beijam, que entulham nas bolsas lerdas de minhas pálpebras ilusões geométricas.
E eu todo, com minhas têmporas inflamadas, cheias de raízes arroxeadas e pulsantes
Sou banhado de carícias sadomasoquistas, de mordidas quadriláteras, arranhões que eretam [meus pêlos e me fartam de ecos de cantos robóticos.
Ah, sensações cibernéticas! Oh, simbiontes estupradores com sexos de metal!
Oh, kama sutras maquínicos, devir refrigerado das máquinas e das artérias!

(Ah, porque me enchi de uma febre míope!
Já não sei o que é fim, esmaguei ontem, sempre ontem, a felicidade com meu corpo enquanto [dormia;
Meus olhos só enxergam os ciscos incômodos que me cegam;
E a metafísica me escapou na minha penúltima hemorragia.
O que é teleologia?
Já não sei o que é orgasmo, também não sei o que é cansaço...
É essa sensação estrangulada, eternizada, que se olha narcísica e apaixonada; é esse gozo infindo [de tudo,
Que se masturba de costas para o fim.
Esse êxtase sem esforço, esse trabalho de parto sem parto;
Essa, essa... esta beatitude cheia de chagas sempre abertas e ferventes...
Sim, chagas!... elas são meu orgasmo infinito sem ejaculação!)

Vai, Trêm Pangaré!...Vai veloz desvirginando as horas, ejaculando gentes suadas e dormentes [nas estações desfloradas!
Cospe essas manadas paquidérmicas que se atropelam trôpegas, cegas, facistas, mães amorosas [de suas fantasias
adoecidas de luxúria, fantasias cheias de lésbicas e anús lubrificados, filmes pornográficos de última categoria.]
Ah, como gargalham! Como se esbofeteiam com imperativos sujos!...
Escoam às suas casas para estuprar vaginas gordas; não suas esposas, apenas suas vaginas [gordas;
São as estações de luxo milimétrico, o entorpecimento necessário, o transe fácil e baixo que esses [corpos adquiriram para si, que lhes foi dado largamente.
O Amanhã fatal e vicioso despencará com sua tempestade de trabalhos, com suas trepas e [masturbações mecânicas...
Ai, o que seria deles sem essas vaginas gordas, sem a cachaça barata , sem esse corpo de fraternos inimigos que se excitam furiosa e libidinosamente?

Ah! Vai, Trêm! Zarpa! Zássssssssss...! Zune!...
Crava-te nesse vento aleijado! Vai, Pênis-de-ferrugem sujismundo e sifilítico, Mundo de Sujos, de [bestas imundas, oh, admirável novo mundo!...

Tudo é sem fundo, tudo é entranhas de ligas metálicas...
Tudo é Pele, pele, pele... Os olhos se fecham...
E o corpo se abre num sono embalado por cantigas de cães-robôs... se abre numa preguiça sem [braços nem pernas.
Ouço tão longe agora, porque já todos os sons penetraram no silêncio da alma, ouço tão longe a putaria da canalha... os cães já roem meus ossos em silêncio, apenas grunhidos...
Tão longe...tão longe...tão longe...

Hermes

No comments: