Um coral desarmônico de vozes metálicas me metralha com vozes tristes,
Trovoadas, travadas, tribalices de andróides tétricos...
Entronizado no cinzento do banco gélido, recebo esses louvores, essas adorações opacas que [recolho sem alegria nem tristeza
Na minha epiderme trêmula e dançante.
Devoram meus olhos ardentes e salivantes uma população infinita de polígonos justapostos, [sobrepostos, que se roçam sem faiscas
Que se beijam, que entulham nas bolsas lerdas de minhas pálpebras ilusões geométricas.
E eu todo, com minhas têmporas inflamadas, cheias de raízes arroxeadas e pulsantes
Sou banhado de carícias sadomasoquistas, de mordidas quadriláteras, arranhões que eretam [meus pêlos e me fartam de ecos de cantos robóticos.
Ah, sensações cibernéticas! Oh, simbiontes estupradores com sexos de metal!
Oh, kama sutras maquínicos, devir refrigerado das máquinas e das artérias!
(Ah, porque me enchi de uma febre míope!
Já não sei o que é fim, esmaguei ontem, sempre ontem, a felicidade com meu corpo enquanto [dormia;
Meus olhos só enxergam os ciscos incômodos que me cegam;
E a metafísica me escapou na minha penúltima hemorragia.
O que é teleologia?
Já não sei o que é orgasmo, também não sei o que é cansaço...
É essa sensação estrangulada, eternizada, que se olha narcísica e apaixonada; é esse gozo infindo [de tudo,
Que se masturba de costas para o fim.
Esse êxtase sem esforço, esse trabalho de parto sem parto;
Essa, essa... esta beatitude cheia de chagas sempre abertas e ferventes...
Sim, chagas!... elas são meu orgasmo infinito sem ejaculação!)
Vai, Trêm Pangaré!...Vai veloz desvirginando as horas, ejaculando gentes suadas e dormentes [nas estações desfloradas!
Cospe essas manadas paquidérmicas que se atropelam trôpegas, cegas, facistas, mães amorosas [de suas fantasias
adoecidas de luxúria, fantasias cheias de lésbicas e anús lubrificados, filmes pornográficos de última categoria.]
Ah, como gargalham! Como se esbofeteiam com imperativos sujos!...
Escoam às suas casas para estuprar vaginas gordas; não suas esposas, apenas suas vaginas [gordas;
São as estações de luxo milimétrico, o entorpecimento necessário, o transe fácil e baixo que esses [corpos adquiriram para si, que lhes foi dado largamente.
O Amanhã fatal e vicioso despencará com sua tempestade de trabalhos, com suas trepas e [masturbações mecânicas...
Ai, o que seria deles sem essas vaginas gordas, sem a cachaça barata , sem esse corpo de fraternos inimigos que se excitam furiosa e libidinosamente?
Ah! Vai, Trêm! Zarpa! Zássssssssss...! Zune!...
Crava-te nesse vento aleijado! Vai, Pênis-de-ferrugem sujismundo e sifilítico, Mundo de Sujos, de [bestas imundas, oh, admirável novo mundo!...
Tudo é sem fundo, tudo é entranhas de ligas metálicas...
Tudo é Pele, pele, pele... Os olhos se fecham...
E o corpo se abre num sono embalado por cantigas de cães-robôs... se abre numa preguiça sem [braços nem pernas.
Ouço tão longe agora, porque já todos os sons penetraram no silêncio da alma, ouço tão longe a putaria da canalha... os cães já roem meus ossos em silêncio, apenas grunhidos...
Tão longe...tão longe...tão longe...
Hermes
Friday, March 07, 2008
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